Vygotsky – Mediação simbólica no desenvolvimento humano, uma visão sócio-histórica

Vygotsky foi professor e pesquisador nas áreas de psicologia, pedagogia, filosofia, literatura, deficiência física e mental, atuando em diversas instituições de ensino e pesquisa.

O autor tem como abordagem para a psicologia, três pontos básicos: as funções biológicas têm um suporte biológico; o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior e a relação homem / mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos.

Um ponto crucial de seu pensamento é a mediação simbólica, uma vez que esse conceito é o ponto central da teoria vygotskiana sobre o funcionamento psicológico, sendo que este se baseia na interação do homem com o mundo. Vygotsky diz que essa interação não é direta, mas sim mediada, a qual corresponde a um estímulo incorporado ao impulso direto de modo a facilitar a complementação da operação.

Segundo Vygotsky, existem dois tipos de elementos mediadores: os instrumentos e os signos, sendo que o primeiro corresponde a um objeto social e mediador da relação entre o indivíduo e o mundo, diferentemente dos animais que também usam instrumentos, o ser humano tem a capacidade de criar seus instrumentos para determinados fins, os guardam para suo futuro e transmitem a sua função e metodologia de construção para outros membros do grupo social. O segundo (os signos), correspondem a instrumentos da atividade psicológica, com papel semelhante ao dos instrumentos no trabalho, ou seja, auxiliam a nossa mente a tornar-se mais sofisticada, possibilitando um comportamento mais controlado.

Vygotsky relaciona os sistemas simbólicos (são sistemas que organizam os signos em estruturas complexas e articuladas) com o processo de internalização (transformação das marcas externas em processos internos), sendo que esses dois são considerados essenciais para o desenvolvimento dos processos mentais superiores, além de mostrarem a importância das relações sociais entre os indivíduos.

Ele defende que ao longo do seu desenvolvimento a pessoa passa a utilizar de signos internos, ou seja, a fazer representações mentais dos objetos do mundo real e é justamente essa capacidade de abstração propicia ao homem libertar-se do tempo e espaço presente.

Vygotsky também defende que a interação entre os seres humanos (face a face ou sócio-culturalmente) é fundamental na construção do ser humano, pois é através dessa forma de interação que o indivíduo vai chegar a interiorizar as formas culturalmente estabelecidas, sendo que este se dá “de fora para dentro”.

Finalmente, agora temos uma relação entre linguagem e pensamento, pois como a linguagem representa o sistema simbólico mais básico, ela ocupa lugar central na teoria de Vygotsky. A primeira função básica da linguagem para o autor é a de intercâmbio social: ou seja, o homem a utiliza para se comunicar com seus semelhantes e a segunda função seria a de servir como pensamento generalizante, ou seja, para ordenar o real, agrupando-os em conjuntos que possuam as mesmas características gerais.

Vygotsky deixa claro que o pensamento e a linguagem têm origens diferentes e desenvolvem-se independentemente, antes que ocorra uma relação entre elas e em seu trabalho ele buscou compreender a origem e a trajetória desses dois fenômenos. Nesse estudo, ele considerou processos anteriores ao do pensamento e da linguagem como sendo as fases “pré-verbal do desenvolvimento do pensamento” e “pré-intelectual do desenvolvimento da linguagem” e comparando com o desenvolvimento de primatas superiores, encontrou vínculos com o desenvolvimento humano.

Ele defende que a associação entre pensamento e linguagem se dá quando da necessidade de intercâmbio entre indivíduos, e então a interação entre esses dois sistemas em um sistema de signos corresponde a um momento em que o biológico transforma-se em sócio-histórico. Em sua análise essa relação é importante para estudar o significado das palavras, pois é aí que encontramos duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. São estes que vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real, sendo que estes, devido à própria natureza das sociedades humanas sofrem mutações com o passar do tempo.

Finalmente, dois últimos conceitos importantes de conhecer do pensamento de Vygotsky são o discurso interior, que corresponde a uma linguagem interna, dirigida ao próprio sujeito, a qual não está estruturada em frases conexas e completas, mas sim apenas fragmentos de modo que o indivíduo possa entender os conceitos e tomar atitudes condizentes a esses pensamentos; e a fala egocêntrica que é um fenômeno entre o discurso socializado e o discurso interior, que corresponde a uma conversa exteriorizada que a pessoa faz para si mesma, utilizada como apoio ao planejamento de sequências a serem seguidas, como auxiliar na solução de problemas.

One Response to Vygotsky – Mediação simbólica no desenvolvimento humano, uma visão sócio-histórica

  1. nathan

    queria sabe qual a referencia bibligrafica desde texto. de onde as ideias foram tiradas. obrigado.

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