Quando uma empresa estola

Na aviação existe um fenômeno que assombra os pilotos, o estolar de uma aeronave. O termo estol vem do inglês stall, que representa a perda de sustentação ocasionada pelo descolamento do fluxo de ar nas asas, fazendo o avião entrar em queda livre. Quando um avião está entrando em estol o piloto deve rapidamente adotar algumas medidas de segurança para estabiliza-lo a fim de recuperar o horizonte de sua nave.

Recentemente tivemos as notícias de alguns acidentes aéreos, sendo que todos eles se deveram ao tão temido estol. Esses tristes acontecimentos me levaram a estabelecer um paralelo entre a aviação e a condução empresarial. Enquanto o ar é o sustentáculo de qualquer avião, o fluxo de capital é o que mantém uma empresa funcionando; pensando dessa maneira é possível imaginar que um dos motivos que mais leva uma empresa a declarar falência é o volume do fluxo financeiro abaixo do mínimo necessário para honrar seus custos ordinários, ou seja, em uma situação dessas, a empresa entrou em estol.

Antes de estolar, uma das formas principais de retomar a sustentação da aeronave é forçar o bico dela para baixo, a fim de aumentar a velocidade do ar que passa pelas suas asas e conseguir permanecer voando, e quando voltar ao estado seguro de sustentabilidade, o piloto deve puxar o avião de volta ao seu nível horizontal e seguir sua viagem. Soa intrigante o fato de que para evitar a queda deve-se justamente forçar a sua máquina a cair de forma rápida e controlada.

Assim, será que em uma empresa não podemos pensar de forma parecida? Fazendo uma comparação rápida, podemos imaginar que quando estamos perdendo fluxo de capital, uma das ações que devemos tomar é forçar o aumentar dos investimentos em áreas críticas. Por muitas vezes a inação ou ações pontuais e inócuas de seus diretores leva uma empresa a quebrar.

Uma das áreas críticas de uma empresa é a do marketing, que alimenta o comercial, que por sua vez dispara a produção e abastece o financeiro após o pagamento pelos serviços prestados. Penso que uma das atitudes corretas de uma empresa quando vê escassear as suas entradas financeiras é investir pesadamente em publicidade, ao contrário do que muitos empresários imaginam ao cortar gastos em situações extremas. Uma empresa não vive sem novos contratos, manutenções e alavancagem de contratos antigos e bom espalhamento de sua imagem, valores e sua marca, o problema é que tudo isso custa e isso assusta alguns dirigentes em momentos severos.

Dessa maneira, quando o empresariado em geral vê-se em situação de perigo, a primeira ideia que tem é a de reduzir despesas e lá se vai o custeio do marketing. O problema é que injetar capital em publicidade não é gasto, mas sim investimento, onde o dinheiro que flui dos cofres da empresa e, sendo bem trabalhado nesse segmento, retornará a maior no transcorrer de certo período de tempo.

Para ganhar dinheiro é preciso investir na devida proporção, pois contar ao mundo sobre seus serviços e diferenciais não é luxo, nem gasto, mas sim uma necessidade para manter qualquer empresa, um avião no ar.

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