Psicologia Humanista: uma tentativa de sistematização da denominada terceira força em psicologia

O termo Humanismo representou no início da Idade Moderna o rompimento com os valores medievais, sendo que a partir do Renascimento (em especial o Humanismo), o foco de visão estava centrado no homem (antropocentrismo) e todas as preocupações estavam voltadas para o ser humano.

Com vista nisso, define-se Psicologia Humanista aquela que resgata essa preocupação a respeito do ser humano, que centra sua atenção nele, que está envolto em um mundo de constantes modificações e perturbações, onde cada vez mais se valoriza o que se tem ou aparenta e não mais o que se é.

A sociedade impinge ao homem um sentimento de liberdade e de possibilidade de ascensão social, o que o leva à “famosa expressão: “sonho americano”: sobre vencer e ser alguém na vida” e a este sentimento que a Psicologia Humanista trás subsídios para demonstrar a dependência dessa transformação baseia-se apenas na vontade individual, a subjetividade, as emoções próprias e particulares e não de um sistema ou grupo de pessoas.

Uma maneira de analisar o objeto de estudo dessa vertente da psicologia nos é trazida por Bergson que separa inteligência de instinto (embora deixando clara a sua complementaridade), sendo que instinto caracterizaria pela faculdade de utilizar e construir instrumentos organizados e inteligência seria a faculdade de fabricar e empregar instrumentos inorganizados, sendo uma “possibilidade de exteriorização da consciência”. Já Husserl defende que o conhecimento só seria possível através de “… um despojar-se de todas as suas pré-concepções”.

No campo da psicologia, define-se como tendo havido três revoluções, sendo que a primeira dela foi denominada de Behaviorismo (1913), que defendia que “apenas o comportamento manifesto aquele que podia ser visto e medido, ele era tudo o que contava”, se preocupando apenas com o ambiente externo da pessoa. A segunda revolução foi a Psicanálise, trazida por Sigmund Freud, que defende que “o homem seria dotado das possibilidades de se desenvolver, de se realizar, tendendo naturalmente para o equilíbrio e a auto-organização e devendo caminhar nesse sentido”, sendo que o seu principal objeto de estudo é o inconsciente, preocupando-se dessa forma com o ambiente interno do indivíduo. A terceira revolução apontada seria justamente a Psicologia Humanista, a qual sua linha de diretrizes foi definida acima.

Um dos precursores teóricos da psicologia humanista foi Abraham Maslow com sua psicologia da auto-realização (ou auto-atualização), sendo que esta seria a “exploração plena de talentos, capacidades, potencialidades etc., levando a uma grande realização.” Nesse caminho para a auto-atualização, o ambiente no qual o homem está inserido não seria capaz de criar o ser humano, mas sim ajudá-lo a concretizar as possibilidades internas dele. Para ele, o homem possui uma série de necessidades hierárquicas e que a supressão de alguma(s) dela(s) leva a um desequilíbrio de modo a levar o indivíduo a satisfazer essa(s) necessidade(s), e enquanto ele não se libertar das necessidades inferiores, não pode iniciar a busca da auto-atualização.

Outro pensador foi Carl Rogers, que baseia no trabalho com a perspectiva centrada no cliente, o que nos remete imediatamente aos fundamentos do Humanismo, onde o indivíduo tem em si a capacidade latente de compreender os fatores de sua vida que lhe causam infelicidade e dor, e de reoganizar-se de forma a superar tais fatores. Em seu trabalho ele afirma que “o impulso para auto-atualização é inato, mas pode ser ajudado ou prejudicado por experiências infantis e pela aprendizagem”, o que já nos fornece alguns subsídios para definir o papel dessa vertente psicológica na educação.

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