O perdão

– Mestre, Tiago e eu não estamos de acordo sobre os teus ensinamentos quanto à redenção do pecado. Tiago afirma que tu ensinas que o Pai nos perdoa, mesmo antes de Lhe pedirmos. Eu defendo que o arrependimento e a confissão devem vir antes do perdão . Qual de nós tem razão?

Um pouco surpreendido pela pergunta, Jesus parou em frente da muralha oriental do Templo e, fitando intensamente os quatro, respondeu:

– Meus irmãos, errais nas vossas opiniões porque não entendeis a natureza das íntimas e amantes relações entre a criatura e o Criador, entre os homens e Deus. Não conseguis compreender a simpatia compreensiva que os pais sábios têm pelos filhos não amadurecidos e por vezes em erro. É, verdadeiramente duvidoso que um pai inteligente e amante se ponha alguma vez a perdoar um filho normal. Relações de compreensão, associadas com o amor, impedem, efetivamente, essas desavenças, que, mais tarde, precisam de reajuste e arrependimento do filho e perdão  do pai. Digo-vos que uma parte de cada pai vive no filho. E o pai goza de prioridade e superioridade de compreensão em todos os assuntos relacionados com seu filho. O pai pode ver a imaturidade do filho por meio da sua própria maturidade, a experiência mais amadurecida do velho. Pois bem, com os filhos pequenos, o Pai celestial possui uma infinita e divina simpatia e compreensão amorosa. O perdão divino, portanto, é inevitável. É inerente e inalienável à infinita compreensão de Deus e ao Seu perfeito conhecimento de tudo o que respeita aos Juízos errados e escolhas enganosas do filho. A divina justiça é tão eternamente justa que inclui, inevitavelmente, o perdão  compreensivo.

Quando um homem sábio entende os impulsos íntimos dos seus semelhantes, o amará. E quando amas o teu irmão,  Já lhe terás perdoado. Esta capacidade para compreender a natureza do homem e perdoar os seus aparentes equívocos é divina. Em verdade, em verdade vos digo que se sois pais sábios, esta deverá ser a forma com que ameis e compreendeis vossos filhos, com que lhes perdoareis até quando uma falta de compreensão momentânea vos tenha separado.

O filho, sendo imaturo e falho de plena compreensão sobre a profunda relação pai-filho, terá, freqüentemente, uma idéia de separação quanto a seu pai. Porém, o verdadeiro pai nunca está consciente desta separação.

O pecado é a experiência da consciência da criatura, não é parte da consciência de Deus.

A vossa falta de capacidade e de desejo de perdoar aos vossos semelhantes é a medida da vossa imaturidade e a razão dos fracassos no momento de alcançar o amor. Conservais rancores e alimentais vinganças na razão direta da vossa ignorância sobre a natureza interna e os verdadeiros desejos de vossos filhos e próximos. O amor é o resultado da divina e íntima necessidade da vida. Baseia-se na compreensão, alimenta-se no serviço generoso e aperfeiçoa-se na sabedoria.

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