Múltiplas inteligências: as diversas visões sobre inteligência através dos exemplos de Gandhi, Einstein e outros

A conceituação de inteligência depende muito do observador, lastreando suas visões de acordo com seus talentos, experiências, convivências e naturezas espirituais. Certamente que não existe apenas um tipo de Inteligência, mas sim um conjunto delas, mais ou menos desenvolvidas em cada indivíduo, que traduz a sua interação com o meio no qual este está inserido e que reflete suas possibilidades de extravasar suas ambições, desejos e naturezas, lastreados em sua missão de vida, em seu propósito de existência nessa experiência terrena.

Em conjunto com essa realidade, temos também a interface das pessoas consigo mesmas e com o mundo, o que faz com que de acordo com cada pessoa, a percepção de ser “inteligente” sofre severas alterações, tornando difícil a definição exata desse conceito multifacetado. Atualmente, acredita-se que o ser humano é dotado de um conjunto de inteligências paralelas, as quais podem ser observadas pelas suas externalizações e valorizações em expoentes da Humanidade, tendo em suas obras e biografias que ser inteligente seria ter, entre outras, as habilidades e competências que este apresentava ao mundo.

Esse conceito de inteligências múltiplas foi desenvolvido na década de 1980 por um conjunto de pesquisadores da Universidade de Harvard, capitaneado pelo psicólogo Howard Gardner, com vistas na análise mais detalhada sobre o que é inteligência, uma vez que havia a percepção de que os resultados obtidos pela psicometria (o popular teste de QI) não seria suficiente para descrever a grande variedade de habilidades mentais humanas.

À época, foram identificadas sete inteligências, às quais a posteriori foram inseridas outras duas (“naturalista” e “existencial”), sendo que atualmente encontra-se literaturas que identificam até doze tipos diferentes tipos, a saber:

Lógico-matemática: A capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes. Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Possuem esta característica os matemáticos e físicos, como John Forbes Nash, Blaise Pascal, Albert Einstein e Stephen Hawking.

Linguística: Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em os explorar. É predominante em poetas, escritores, e linguistas, como J. R. R. Tolkien, Fernando Pessoa,Machado de Assis entre outros.

Musical: Identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais, executando pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar associada a outras inteligências, como a linguística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em compositores, maestros, músicos, críticos de música como por exemplo, Ludwig van Beethoven, Mozart, Freddie Mercury ou Maria Callas.

Espacial: Expressa-se pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É predominante em arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, navegadores e jogadores de xadrez, como por exemplo Michelangelo, Frank Lloyd Wright, Garry Kasparov e Oscar Niemeyer.

Corporal-cinestésica: Traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores e aqueles que praticam a dança ou os esportes, como por exemplo Andre Agassi, Daniele Hypólito, Michael Jordan, Pelé.

Intrapessoal: Expressa na capacidade de se conhecer, estando mais desenvolvida em escritores, psicoterapeutas e conselheiros, como por exemplo, Sigmund Freud.

Interpessoal: Expressa pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores, como por exemplo o Mahatma Gandhi.

Naturalista: Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. É característica de biólogos, geólogos mateiros, por exemplo. São exemplos deste tipo de inteligência Charles Darwin, Rachel Carson, Thomas Henry Huxley.

Existencial: Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos como por exemplo Jean-Paul Sartre, Friedrich Wilhelm Nietzsche, Søren A. Kierkegaard, Frida Kahlo, ou o Dalai Lama.

Pictórica: Retrata a capacidade de se expressar através do desenho, identificada em expoentes como Salvador Dali ou Picasso.

De Resultados: Reflete a habilidade de analisar um problema, criar soluções para resolvê-lo e coloca-las em prática, encontrado em grande líderes como Napoleão Bonaparte ou Nelson Mandela.

Emocional: Compreende o autoconhecimento, o autocontrole, a empatia e a automotivação, podendo ser encontrado por exemplo, em mestres como Jesus ou Sidarta Gautama, o Buda.

O conceito de inteligência remonta à fábula dos sábios vendados que tateando buscavam descrever um elefante, cada qual dizia o que sua parcela de percepção permitia, todos estavam certos, porém incompletos em sua individualidade. Acredito que ser inteligente seja ter a capacidade de alterar a sua realidade com seus talentos, dons e vocações com vistas na construção de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa, com menos dores e sofrimentos, sendo que cada pessoa possui maior e menor desenvolvimento em determinadas áreas, devendo cada um se conhecer para identificar quais são essas habilidade majoritárias para poder dar vazão às suas forças mentais e poder, a partir de então, construir a obra de sua vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

*

Top