Como dizer certas coisas?

“Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver. O vidente então lhe respondeu:

– Meu querido mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos.

Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferia palavras tão alterradoras. Então, a guerra civil era uma realmente uma ameaça! Desesperado, chamou um segundo vidente procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva e lhe fez a mesma pergunta:

– Quanto tempo viverei?

– Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa que ultrapassará a geração dos seus filhos e chegará à geração dos seus netos.

Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata.

Ao sair do palácio, um conselheiro comentou o vidente.

– Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado e você recebeu recompensas. Por que?

O vidente revelou com sabedoria:

– Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não se esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel.”

O texto acima chama-se A História dos Dois Videntes. Citado por Paulo Coelho, foi narrado pela primeira vez pelo jesuíta Anthony de Mello e nos faz pensar sobre como devemos agir no cotidiano com relação à sensibilidade que temos que ter ao tratar com verdades que, ainda que dolorosas, devem ser ditas. No mundo dos negócios (e em qualquer outra vertente da vida), de alto a baixo em uma empresa, a verdade é fundamental para fortalecer os laços de confiança entre os interlocutores, reduzir os danos emocionais gerados por mentiras ou omissões, além de possibilitar a correção de erros e a melhora de processos e ideias.

Para evitar situações negativas, é preciso saber dosar as intensidades, os momentos e as formas que as mensagens são passadas, especialmente aquelas que são desagradáveis. Nesse momento deve aparecer a sensibilidade e a empatia do interlocutor, moldando a sua fala para transmitir a mensagem correta sem impactar negativamente (ou impactando o menos possível) o emocional do ouvinte.

Ninguém gosta de mentiras, especialmente aquelas que são fruto de outras, mas verdades podem doer muito, ainda mais quando são duras e tratadas de forma inábil. Assim, para manter o bom ambiente de trabalho, todos os colaboradores devem se importar em olhar para a outra pessoa quando fala-se algo verdadeiro, tanto construtivo, como um feedback negativo, quanto destrutivo, como uma demissão ou o fim de uma parceria. A solução pode estar em algo que falta hoje em dia e faz muito bem para todos os seres humanos: carinho.

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