Business Intelligence e a Gestão Pública Estratégica

Com as estruturas arrecadatórias levantadas e bem definidas, é possível buscar fontes manipuláveis e fiscalizáveis dentro da esfera municipal, a fim de gerar um aumento nas entradas financeiras com vistas na possibilidade de um incremento nos investimentos em prol dos cidadãos. Essas ações de aumento de arrecadação devem ser feitas de forma que o fluxo de capital seja benéfico para o cidadão e consistentes com um plano de desenvolvimento condizente com a realidade do município, sempre à luz de realizações e projetos que justifiquem a entrada extra de capital.

As formas e mecanismos de campanhas de aumento arrecadatório devem ser adotadas em diversas linhas de incentivo, identificando o perfil da população e de seus devedores, elaborando, por exemplo, um estudo de interesse do município (estrutura ABC de dívida, onde é possível identificar os nichos de dívidas para com o município e com o qual existe a possibilidade de levantamento dos focos de interesse no que tange a cobrança (de modo a fugir dos casos em que a cobrança é mais cara estruturalmente e processualmente do que a própria dívida em si).

A administração financeira, aliada a um poderoso arsenal computacional e matemático com a capacidade de estabelecer vínculos e regras internas ao sistema financeiro municipal e retornar suportes de conhecimento e de auxílio à Inteligência, torna-se capaz de gerir suas fontes de receitas e despesas com mais eficiência e rapidez.

Para tal tarefa é possível utilizar as técnicas de Data Mining (ou Mineração dos Dados) dentro do TI da administração financeira. Essa é uma tecnologia formada por um conjunto de ferramentas que através do uso de algoritmos de aprendizagem ou baseados em redes neurais e estatística, são capazes de explorar um grande conjunto de dados, extraindo destes conhecimento na forma de hipóteses e de regras. Diariamente as empresas acumulam diversos dados nas suas bases de dados, inclusive com dados e hábitos de seus clientes. Todos estes dados podem contribuir com a empresa, sugerindo tendências e particularidades pertinentes a ela e seu meio ambiente interno e externo, visando uma rápida ação de seus gestores.

Com a geração de informações e conhecimentos úteis para as empresas, os seus negócios podem dar mais lucratividade para as mesmas. Os recursos da tecnologia da informação, mais precisamente a capacidade do hardware e software disponíveis podem efetuar atividades em horas, o que tradicionalmente as pessoas levariam meses.

Efetivamente a mineração de dados cumpre o papel de descoberta de conhecimentos) que tornará possível utilizar os conceitos e práticas utilizadas na gestão privada do Business Intelligence (BI), ou Inteligência Empresarial, que é um processo empresarial de gestão de conhecimento auxiliador no que tange o alcance das metas e objetivos traçados dentro de uma estrutura.

Esse conceito surgiu na década de 80 e descreve as habilidades das corporações para acessar dados e explorar as informações (normalmente contidas em um Data Warehouse/Data Mart), analisando-as e desenvolvendo percepções e entendimentos a seu respeito, o que as permite incrementar e tornar mais pautada em informações a tomada de decisão (JFF).

As organizações tipicamente recolhem informações com a finalidade de avaliar o ambiente empresarial, completando estas informações com pesquisas de marketing, industriais e de mercado, além de análises competitivas. Organizações competitivas acumulam “inteligência” à medida que ganham sustentação na sua vantagem competitiva, podendo considerar tal inteligência como o aspecto central para competir em alguns mercados.

Geralmente, os coletores de BI obtêm as primeiras fontes de informação dentro das suas empresas. Cada fonte ajuda quem tem que decidir a entender como o poderá fazer da forma mais correta possível. As segundas fontes de informações incluem as necessidades do consumidor, processo de decisão do cliente, pressões competitivas, condições industriais relevantes, aspectos econômicos e tecnológicos e tendências culturais. Cada sistema de BI determina uma meta específica, tendo por base o objetivo organizacional ou a visão da empresa, existindo em ambos objetivos, sejam eles de longo ou curto prazo.

Alguns observadores consideram que o processo de BI realça os dados dentro da informação e também dentro do conhecimento. Pessoas envolvidas em processos de BI podem usar softwares ou outras tecnologias para obter, guardar, analisar, provendo acesso aos dados, seja ele simples ou de muito uso. O software “cura” a performance de gerenciamento do negócio e ajuda no alvo das pessoas tomarem as melhores decisões pela exatidão, atuais e relevantes com as informações viáveis a quem quiser quando for necessário.

Algumas pessoas utilizam o termo “BI” intercâmbiando ele com “livros de reunião” ou “sistemas de informações executivas”, de acordo com a informação que cada um contém. É nesse sentido, que cada um pode considerar um sistema de BI como um sistema de suporte para tomada de decisão (decision-support system).

O conceito de Data Mining está se tornando cada vez mais popular como uma ferramenta de gerenciamento de informação, que deve revelar estruturas de conhecimento, que possam guiar decisões em condições de certeza limitada. Recentemente, tem havido um interesse crescente em desenvolver novas técnicas analíticas, especialmente projetadas para tratar questões relativas a Data Mining. No entanto, Data Mining ainda está baseado em princípios conceituais de Análise de Dados Exploratórios e de modelagem.

Quando é implementado um programa de BI deve-se relacionar as questões e suas possíveis decisões, tal como:

• Questões de alinhamento de metas: é o primeiro passo para determinar propostas de curto e médio prazos do programa.

• Questões de base: coleta de informações de competência atual e suas necessidades.

• Custos e Riscos: as consequências financeiras da nova iniciativa de BI devem ser estimadas.

• Cliente e “stakeholder”: determina quem serão os beneficiados da iniciativa e quem pagará por ela.

• Métricas relacionadas: estes requerimentos de informações devem ser operacionalizadas com clareza e definidas por parâmetros métricos.

• Mensuração Metodológica: deve ser estabelecido um método ou procedimento para determinar a melhor ou aceitável maneira de medir os requerimentos métricos.

• Resultados relacionados: alguém deve ser o monitor do programa de BI para assegurar que os objetivos estão ocorrendo. Ajustes no programa podem ser necessários. O programa deve ser testado pela eficácia, rentabilidade e validade.

A possibilidade de obtenção e manipulação de conhecimento (BI) na Administração Pública ainda é incipiente no Brasil, o que tornará a cidade que as adotar transformar-se-á em uma cidade-modelo no que tange a sua Administração, uma vez que utilizará tecnologia e conhecimento de ponta no mundo para melhor gerir suas Informações transacionais, transformando-as em Conhecimento estratégico, para o auxílio da Inteligência do administrador público, que em última análise é o meio para a concretização dos projetos e metas voltados para o benefício dos cidadãos.

One Response to Business Intelligence e a Gestão Pública Estratégica

  1. Boa noite,

    Excelente artigo. Deixo aqui minha satisfação em poder ter acesso a um conteúdo de extrema relevância dentro de um nicho tão pouco explorado na internet. Nota dez mesmo.

    Abração.

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