As perspectivas da inteligência

O conceito inteligência é caracterizado através de três perspectivas, o inatismo, o empirismo e o construtivismo. O primeiro defende que a inteligência é um dom, uma capacidade, que possuímos desde o nosso nascimento e independe da nossa trajetória pessoal, ou seja, não interessa os esforços ou os ensinamentos que a pessoa experimente, pois sempre terá o mesmo nível de inteligência. Assim sendo, a nossa inteligência independe de nós e dessa forma, o sujeito é considerado passivo, subordinado à sua herança genética.

No segundo (o empirismo), o desenvolvimento da inteligência baseia-se no somatório das aprendizagens que o indivíduo tem a possibilidade de experimentar. Nessa visão valoriza-se todas as ações que visem o desenvolvimento da inteligência, baseando-se naquilo que a pessoa conhece e com base nessas informações que há a possibilidade de aprimoramento das relações mentais que esta faz com as informações do mundo que a cerca.
Finalmente o terceiro, o construtivismo, tem a visão de que a inteligência é o que possibilita de modo estrutural e funcional nossas relações com os elementos do mundo que nos cerca, ou seja, ela expressa o que podemos compreender e realizar segundo o nosso estágio de desenvolvimento. Nessa visão a inteligência é considerada na perspectiva de autonomia da criança e que progredir na direção dessa autonomia significa construir e coordenar mecanismos de interação com o mundo, de modo a realizar e compreender as coisas por si mesma.

Segundo Piaget, todos os seres vivos são inteligentes e ele estudou como e porque somos inteligentes.
Segundo o mesmo, a inteligência expressa duas condições do ser vivo: organização e adaptação em um contexto em constante adaptação. A primeira expressa a vida como um sistema que deve se conservar como um todo, e para negociar com o que nos cerca é necessário que tenhamos uma capacidade de adaptação (segunda condição) e regulação com esse meio.

O conceito de interdependência na teoria de Piaget significa a qualidade da relação da parte e o todo que lhe corresponde, ou seja, para resolver um problema, precisamos compreender e ter a visão correta do todo, ou seja, de todos os elementos que contextualizam e regulam essa situação, esse sistema evita que tentemos resolver o problema por tentativa e erro, nos permitindo avaliar todas as possibilidades, reduzindo a chance de fracasso em nossas tentativas.

Acima disso, temos o conceito de reversibilidade que tem a função de coordenar a interdependência, sendo que esta caracteriza a possibilidade mental, corporal ou social de se considerar as relações entre as partes e o todo de modo simultâneo. Como pode ser considerada uma qualidade de um pensamento operatório, é o que nos impulsiona a considerarmos simultaneamente os fatores da situação em questão. Além disso, ela, enquanto qualidade construtiva que caracteriza uma inteligência operatória temporal que nos possibilita correlacionar passado e presente de modo a direcionar nossas ações para alcançarmos um futuro desejado.

Todos podem, sim, aprender, porém o modo como essa possibilidade é compreendida varia segundo as diferentes visões, os diferentes contextos de expressão, de formação e características intrínsecas. Respeitando as diferenças, momentos e interesses, todos podem aprender, de forma mais ou menos rápida, qualquer conteúdo e, para que isso seja possível, é fundamental que o guia na jornada para o saber tenha em mente de que o caminho varia de acordo com o viajante. O professor tem que respeitar o aluno com vistas nas suas características e desejos, suas virtudes e fraquezas e seu papel primordialmente é o de motivar e facilitar a prática discente. Finalmente, o professor deve sempre ser capaz de apresentar alternativas para o compreender, tendo em mente que não apenas o aprendizado muitas vezes encontra becos sem saída, mas que o mesmo também acontece com o ensino.

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