A morte dos Armstrongs

Nesse último final de semana fomos arrebatados por duas duras notícias: a morte aos 82 anos de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua e do banimento aos 40 anos de Lance Armstrong do ciclismo mundial.

Além do nome, ambos têm em comum o fato de serem lendas mundiais e, como tais, inspiraram até hoje incontáveis pessoas com suas incríveis histórias de vida, mudando para melhor as ações dos Homens, trazendo esperanças, novas visões de mundo, novos horizontes para velhos problemas.

Precisamos dos mitos para que possamos sintetizar conceitos que nos esquecemos com o dia a dia, assim funciona tanto com os super-heróis dos gibis, quanto com os de carne e osso que acreditamos que assim possuem iguais especialidades. Infelizmente os heróis humanos são, naturalmente, falhos e assim podem com seus erros, suas fraquezas, colocar a perder toda aura de inatingibilidade, de modelo de pessoa que deva ser adorada, imitada e até invejada.

Essas duas perdas talvez nos faça refletir sobre nossos símbolos, sobre as pessoas que admiramos pelos seus feitos, seus caráteres, suas habilidades ímpares. O Armstrong astronauta arriscou sua vida para nos mostrar não a beleza da Lua, mas sim o quão especial é a nossa casa; para que novas tecnologias pudessem surgir; para que possamos ter condições de compreender quem somos e de que forma podemos ser uma Humanidade melhor. Repousará eternamente sobre glória rendida pelos livros de História.

Nesse mesmo passo, o homônimo ciclista também deixou de estar entre nós, de forma melancólica. Hoje não existe mais a lenda, pois foi expulso do esporte por uso sistemático de doping durante sua carreira. Como não existem cercas na fronteira entre o amor e o ódio, quem era incensado como modelo, hoje se encontra como um pária no mundo dos esportes, sendo execrado por ter enganado tantos por tanto tempo.

Lance assombrou o mundo ao ganhar por sete vezes seguidas a volta da França após vencer um câncer nos testículos com metástases no cérebro e no pulmão. A luta do ciclista com a doença, o motivou a criar a Fundação LiveStrong, que foi criada para angariar fundos para pesquisa de cura do câncer e então espalharam-se campanhas para angariar fundos, sendo que a mais célebre foi a venda de pulseiras (a maioria delas amarela) com a inscrição LiveStrong. Uma inspiração para uma geração!

O ciclista que tinha apenas 40% de chance de sobrevivência conseguiu levantar R$600 milhões para uma das causas mais nobres da Humanidade e deu a volta por cima sagrando-se heptacampeão do torneio mais nobre de sua modalidade. Infelizmente a história não terminou assim e os seus defeitos vieram à tona.

Porém, enquanto os humanos são falíveis, transitórios e pequenos, os mitos habitam o Olimpo de nossas almas. Acredito que devemos cultivar as boas imagens, aquilo que nos inspira para que possamos tentar ser cada vez menos bestiais. Deixemos a imagem de superação, abnegação e amor pela vida do mito Lance descansar ao lado de Neil, isso fará bem a todos nós! Lembremo-nos do que os mitos inspiraram enquanto vivos e que infelizmente duas histórias se findaram nesse último final de semana, um Armstrong foi para além das estrelas, o outro voltou a ser humano.

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